Artigos de Jornal


Um futuro para a Bahia

  • 12 de Abril de 2026

No dia 29 de março passado, aniversário de Salvador, o apto professor e economista Fernando Pedrão publicou numa rede social o artigo O estigma da responsabilidade social: o governo contra o Estado na Bahia, em que afirma “A Bahia não tem planejamento desde o varguismo de Antônio Balbino de Carvalho e desenvolveu extensa e copiosa burocracia refugiada no Centro Administrativo, exercendo uma nulidade blindada”.

Este discurso tem muito a ver com a próxima eleição para governador, deputados estaduais e federais e senadores. A Bahia ocupava a 22° posição entre os 27 estados brasileiros de renda per capita, em 2021, e igual posição no que se refere ao índice de desenvolvimento humano. A educação no estado está entre as dez piores do país, na frente apenas do Amazonas, Acre, Roraima e Amapá. Apesar dos crimes terem diminuído 20% nos últimos anos, cinco cidades baianas estão no ranking das 10 mais violentas de todo Brasil: Jequié, Feira de Santana, Juazeiro, Simões Filho e Camaçari.

O Professor Fernando Pedrão prossegue: “Esse processo de castração do governo acumula uma dialética negativa que se materializa na destruição da competência técnica. Governantes filauciosos extinguiram a Comissão de Desenvolvimento do Rio Paraguaçu, reduziram a zero a Comissão de Desenvolvimento do Rio São Francisco, fecharam o Departamento de Recursos Minerais, fecharam a Agrobahia, reduziram a superintendência de recursos hídricos a uma fantasia ambiental”.

Nossos impostos só servem para pagar os juros de R$ 34,7 bilhões de dívidas do Estado e PPPs inflacionadas como a da Arena Fonte Nova, do Hospital do Subúrbio, do Instituto Couto Maia, da Central de Diagnóstico por Imagem, da Estrada do Feijão (BA-052), do Emissário Submarino de Salvador e do Metrô de Salvador. Estão previstos ainda as PPPs da Ponte Salvador–Itaparica, do Rodoanel da Soja, do VLT e de unidades do sistema prisional.

A julgar pelas últimas eleições os candidatos àqueles postos eletivos, de direita e de esquerda, não apresentam nenhuma proposta sociopolítica, a não ser permanecerem nos seus cargos, Deus sabe para que! Decisões importantíssimas, como a construção da ponte Salvador-Itaparica, de enorme afetação social naquelas duas cidades, são tomadas sem nenhuma avaliação de seus impactos e consulta à sociedade. O mesmo se repete em Salvador, que não terá avaliação em outubro próximo.

Diante desse quadro desolador, é preciso que instituições da sociedade civil, como a Associação Comercial da Bahia, a Federação das Indústrias, o Conselho de Cultura e Universidades públicas e privadas promovam um amplo debate sobre o Futuro da Bahia e cobre dos candidatos o compromisso de sua execução para não continuarmos a ser o estado da muvuca e quinto mais atrasado do país.

 

Sorria, você está na Bahia!


Últimos Artigos