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Salve o dia das bruxas

  • 26 de Outubro de 2025

A colonização é a mesma há 2.000 anos. As colônias conquistadas a ferro e fogo ou por alienação são submetidas à dominação financeira, ao monopólio comercial, ao uso de uma segunda língua e à cultura do colonizador.

Somos um país independente desde 1823, embora a escravatura e o tráfico de pessoas nunca deixaram de existir. Não estou insinuando, por favor, que não liberamos os escravos! Pelo contrário, surgiram novas oportunidades de trabalho para a nossa sofrida classe média, com o Uber e o 99. Sem despesas, eles afanam 28% do ganho de “autistas” que trabalham 12 horas por dia, não têm férias nem aposentadorias. Idem os deliveries, que arriscam a vida em motos.

Meus colegas universitários gastam rios de tinta e de saliva discutindo a decolonização portuguesa, mas fazem vista grossa para a neocolonização que estamos vivendo, anestesiados pelo consumo conspícuo. Não usamos mais o real, é mais cômodo usarmos o Visa e o Mastercard que cobram 3,5% sobre tudo que consumimos e gravam os mais pobres em 400% ao ano por atraso.

O chupa-molho, o óleo de cozinha e o cafezinho que consumimos são cotados em dólar. Somos o celeiro do mundo, com muito orgulho, e acabamos de sair do Mapa da Fome, mas 30 milhões de brasucas apetitosos sofrem de insegurança alimentar. Durante a Colônia pagávamos o Quinto do Ouro (20%) aos lusos e provocou uma revolução, hoje pagamos 50% à Coroa Americana.

O Brasil já foi um país industrial. Fabricávamos caminhões FNM, jipes Gurgel, elevadores SUR, pisos São Caetano e Brennand, tecidos Bangu, confecções de Dener e Clodovil, tênis Kichute, sabonetes Eucalol e Gessi e o Biotônico Fontoura. Hoje importamos tudo e voltamos a ser um país “essencialmente agrícola”, exportando commodities sem valor agregado como manda a divisão internacional do comércio.

Símbolos nacionais como os Elevadores Atlas, o Mate Leão, os chocolates Garoto e Lacta, os cafés Pilão e 3 Corações não são mais brasileiros. Trocamos um vagão de minério de ferro confeitado com lítio e nióbio por um celular. Exportamos látex e importamos chicletes de bola.

O antipático leão do IR, passou a ser símbolo de diversão no BET-MGM e no Tigrinho de Las Vegas. É bem verdade que a Bolsa Família e o consignado não estão matando a fome dos desalentados e mais pobres, mas eles também precisam se divertir. Na Globo assistimos The Masked Singer, The Voice, Big Brother Brazil, The Town.

Em nossas escolas, o inglês e o halloween são obrigatórios. Se vamos a um show ou viajamos temos que pagar a reserva à Sympla e à Booking. Para comprarmos à distância ou no black friday pagamos pedágio à Amazon ou ao Mercado Livre e para nos comunicarmos e informarmos somos manipulados pelos algoritmos do Google, Meta, X e Tik Toc.

A cultura popular nordestina virou countrypira e o sertanejo fantasiado de cowboy não é mais um forte, agora chora sofrências. É o meu Brazil brasileiro, terra de samba e pandeiro. Isto é uma rima, não é uma solução.


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