Artigos de Jornal


Bye,bye ao acordo para adiar o fim do mundo

  • 07 de Dezembro de 2025

Entre 10 e 22 de novembro delegações de 193 países com 56.118 participantes se reuniram em Belém para a realização da 30ª Conferência das Nações Unidas sobre as Mudanças Climáticas. As dificuldades começaram com a hospedagem para tanta gente fina, embora o Círio de Nazaré reúna 2,5 milhões de pessoas, das quais um milhão são turistas.

O local não poderia ser mais adequado para discutir a crise climática: calorão, aguaceiros ao meio dia e reuniões em manga de camisa. A organização do evento colaborou com a dramatização da crise climática promovendo a falta água nas torneiras, alagamentos, crise migratória com a invasão da Zona Azul por indígenas expulsos do seu habitat e simulação de um incêndio florestal na mesma área.

Reunião que custou um bilhão de reais ao Brasil e que não trouxe nenhum avanço para a questão ambiental mundial. A limitação da emissão de CO2 nem entrou na pauta. Foram aprovados 29 textos finais, alguns sobre temas meritórios, mas que nada tem a ver com a crise climática, como a discriminação racial e de gênero.

Os grandes produtores de combustíveis fósseis, como a Arabia Saudita, Emirados Árabes e Rússia e consumidores como EUA, China e União Europeia só vieram à COP30 para bloquear as reivindicações dos países mais pobres, que são os mais prejudicados. A proposta brasileira do Fundo Florestas Tropicais para Sempre, que pretendia captar US$25 bilhões, só conseguiu amealhar US$6,7 bilhões. E o Mapa do Caminho para o Afastamento da Economia Dependente dos Combustíveis Fósseis não passou de uma minuta para ser discutida na Turquia em 2026.  

Países membros da OPEP cuja única fonte de renda é o petróleo, não vão admitir a limitação de suas exportações, mas a COP30 poderia conseguir deles um acordo para diversificarem suas exportações com derivados do petróleo como fertilizantes agrícolas, plásticos e produtos. químicos ao invés da venda do cru para queima. O mesmo poderia ser feito com a Europa com um compromisso de investir mais em geração de energia eólica, solar e atômica, e as Américas do Sul e do Norte com a substituição da gasolina e do diesel por combustíveis de origem vegetal.

Questões básicas como o descenso da população mundial e a universalização do transporte de massa, que podem diminuir a demanda de combustíveis fósseis, não foram discutidas, tão pouco a nova demanda de energia com a industrialização e o aumento de consumo do continente africano.

Passados dez anos do Acordo de Paris, não se avançou nada no controle do clima, pelo contrário, seus efeitos viralizaram e os países passaram a aceitar como natural os furacões, tsunamis e alagamentos criando sistemas de alarme e de socorro emergencial das populações afetadas. Ailton Krenak como sabe que as COPs são colóquios de surdos-mudos e cegos não foi a Belém, em protesto.


Últimos Artigos